E uma Canção Nova se fez!

É hora de evangelizar, porque os batizados não são evangelizados

No transcurso da celebração dos quarenta anos de fundação da Comunidade Canção Nova, sinto-me honrado em poder dirigir-lhes uma palavra de saudação, sobretudo para render graças a Deus por ter feito parte desta história fulgurante e, presentemente, como o mais provecto entre os bispos brasileiros, poder contemplar a plêiade de graças e bênçãos que se verificam na Igreja de Cristo através desta vigorosa obra, inspirada pelo Espírito Santo e conduzida pela providência divina.

Monsenhor Jonas e Dom Antônio, uma amizade em prol da evangelização.

Conheci o monsenhor Jonas Abib há muitos anos, quando eu era bispo de Lorena. Salesiano fiel e obediente aos seus superiores, a princípio, não saia aos domingos, como era exigência de seu superior, mas isto lhe custava. Desejava ir ao encontro do povo, dos jovens e evangelizá-los. Admirei sempre seu procedimento e desejava que ele pudesse ter da parte de seus superiores, maior compreensão e isto redundaria num grande bem para a Igreja de Cristo.

Mais tarde, Pe. Jonas resolveu pedir dispensa, para sair de sua comunidade e se dedicar mais ao apostolado. Recebi-o com muita alegria e mostrei-lhe uma carta do Papa Paulo VI, na perspectiva de mostrar-lhe como este papa se preocupava em promover os meios de comunicação. Então, ele começou a evangelizar os jovens e, mais tarde, o enviei à cidade de Cachoeira Paulista, onde havia uma rádio que os proprietários desejavam vender. Propus então que ele para lá fosse e com a ajuda dos muitos fiéis que ele reunia e com alguma habilidade procurasse adquirir aquela emissora. Parece-me que foi uma inspiração de Deus, pois foi com esta rádio que ele começou a atuar na Igreja, com um trabalho magnífico, que hoje se chama Sistema Canção Nova de Comunicação.

“É hora de evangelizar, porque os batizados não são evangelizados. Como você trabalha com jovens, comece com eles. Faça alguma coisa!”

Várias moças e moços, cheios de espírito apostólico, entre os quais Luzia Santiago, uniram-se neste processo de evangelização pela rádio. Dei-lhes a minha colaboração indo todos os sábados e ali pronunciar uma ou duas conferências de formação religiosa. Fiquei cerca de cinco anos nesta idas e vindas, que muito me confortavam e pude sentir que nascia então uma obra de grande mérito. Não sei como se chamava de início, mas sei que era rádio simples que, com muito custo, conseguiu uma potência maior, podendo ser ouvida em todo o Brasil. Mais tarde, essa potência foi ainda elevada ao alcance, inclusive, de outros países.  O padre Jonas era então um nome conhecido por toda parte e um vibrante radialista. Por ele, Deus quis ser conhecido em toda parte.

A sua obra foi conhecida em todo o Brasil e também no exterior, que pude visitar e encontrar, sobretudo em Portugal, grandes admiradores. Depois desses princípios auspiciosos, foi que surgiu a grande Obra de Deus, chamada Canção Nova, descortinando já uma caminhada de quarenta anos, na senda da nova evangelização, proposta por Paulo VI, na Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi.

Transcorrido esse tempo de lutas, conquistas e, sobretudo, aprendizado na escola do amor de Deus, permito-me, como o menor dos incentivadores desta obra, a repetir aquelas palavras inciais que pronunciei, tantos anos atrás, ao Monsenhor Jonas Abib: “É hora de evangelizar, porque os batizados não são evangelizados. Como você trabalha com jovens, comece com eles. Faça alguma coisa!”

 

Dom Antônio Affonso de Miranda, SDN

Bispo Emérito de Taubaté  (SP)

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