Jesus, eu e ele: o meu pai

 

* Por Éderson José 

Já era tarde… o sol estava empolgado naquele dia. Eu me encontrava no período anual de descanso. Dentro do meu coração eu estava decidido a pescar com meu pai. Já tínhamos pescado há muito tempo, porém, disso me recordo pouco. Mas, o tempo não foi capaz de me fazer esquecer a pessoa que me ensinou a pescar.

Nesse dia, estava ele, eu e mais ninguém. Não tinha espaço para outra pessoa. O tempo era nosso, o rio era nosso, tudo era nosso, e de mais ninguém. No trajeto até o rio, surgiu uma partilha – não podia ser diferente. Dois pescadores, juntos, só pode resultar nisso: uma conversa sobre peixes, sobre quem pescou mais na vida.

Confesso que a minha vontade era a de entrar, com muita discrição, no seu coração para saber o que se passava por ali. Aprendi, na Canção Nova, que, para chegar ao coração de uma pessoa, é preciso falar daquilo que ela mais ama, é preciso falar do seu sagrado. Jesus fez isso com Pedro, usou daquilo que ele mais amava, a pescaria:  “Segue-me e te farei pescador de homens” (cf. Mt 4,19). Então, decidi usar do meu sagrado: a poesia. Recolhi, então, no meu coração, as palavras e alguns dos gestos simples que sobraram da nossa partilha até aquele instante. Organizei as palavras dentro de mim e, enfim, a poesia.

A poesia tem o poder de entrar na vida do outro, a todo instante, sem que ele perceba. Então, descobri o que ele estava pensando. Ele estava pensando em mim. Ele estava querendo entrar na minha vida, da mesma forma que eu queria entrar na dele, e a desculpa era a pescaria.

Aquela era a forma que eu tinha para me aproximar dele e eu não podia deixar passar aquela grande oportunidade. Era a minha única “vara de pesca”, minha única “ísca”. Para isso acontecer nem foi preciso chegar até o rio. No caminho, nossos corações se encontraram. Jesus entrou e mudou aquela pescaria, deu qualidade, deu vida, deu significado. Um “pescou” o outro.  E aconteceu, ali, a pescaria mais importante de toda a minha vida. E foi assim, minha gente: Jesus, eu e ele, o meu pai.

Hoje, contemplo na minha vida, na minha vocação, o cumprimento da promessa de Jesus: “Éderson José, vem e segue-me, e eu farei de ti, pescador de homens”. E aqui estou eu, contando pra você sobre aquela pescaria, que não acabou, mas que continua acontecendo a cada dia, em outros rios, em outros mares, numa companhia de pesca chamada Canção Nova. 

Éderson José,

Missionário da Comunidade Canção Nova

Jesus, eu e ele o meu pai.

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