Vida na comunidade

A Canção Nova é feita de pessoas criadas por Deus, criadas juntas, e ordenadas por Ele para realizar a Missão Canção Nova neste mundo.  Quando Deus concebe um desígnio, Ele já cria também as pessoas que Ele quer juntas, para que esse Seu desígnio se concretize no tempo e no espaço que Ele determinou. Por isso, as pessoas que Deus criou Canção Nova serão agregadas, uma após a outra, cada uma a seu tempo.

A riqueza está, justamente aí, nas pessoas que foram criadas por Deus e trazidas por Ele. A própria missão é uma conseqüência do DOM que Deus deu a cada pessoa e, somente ela, pode realizar a parte do dom que Deus lhe confiou.

Os membros da comunidade vivem juntos para o Dom e organizam a vida em função do Dom. Desta maneira, vivem para investir as energias a serviço dele, para canalizar suas potencialidades na concretização desse Dom para o mundo. Cada um é chamado a descobrir que membro é no corpo para realizar a tarefa que lhe cabe em favor do corpo. As diversas atividades, instrumentos de trabalho, retiros, encontros, os meios de comunicação, o serviço de orientação pessoal e de oração são as formas que Deus dá para a realização desse objetivo: formar o homem novo para o Mundo Novo.

“Somos chamados a nos tornar homens e mulheres de Deus. Em tudo que realizamos e fazemos, levamos os traços do que somos. O nosso perfil assim se define: orante, fraterno e trabalhador. Profissionais de Cristo. Se o Pai criou alguém Canção Nova, esta pessoa possui, pelo menos em embrião, o que acaba de ser enumerado acima” (Monsenhor Jonas Abib).

A Canção Nova é, antes de tudo, uma Comunidade. Seus membros são chamados a viverem em comum unidade, a partilhar a vida,  partilhar os bens materiais e espirituais, colocar em comum as próprias riquezas e usufruir das riquezas uns dos outros. Nela, homens e mulheres; jovens e adultos; solteiros, casados e celibatários, sacerdotes e diáconos, assumem a vivência mais radical da consagração a Deus feita no Batismo e na Crisma, em função do apostolado, numa vida em comunidade, conforme o estado de cada um. Tal vivência inspira-se na prática dos conselhos evangélicos, adaptada à vida secular.

Desde os inícios, Deus foi mostrando, pelos fatos, que a formação devia se fazer na vida, no concreto do dia-a-dia, na “oficina da vida”. E é assim que acontece. O próprio modo de vida já é considerado uma  pedagogia de Deus para a formação dos membros. As regras que regem a vida na comunidade são uma verdadeira Escola de Formação. O Viver da Providência, modo de viver a pobreza; a Autoridade e Submissão, o modo de viver obediência, o Masculino e Feminino vivendo em Sadia Convivência, modo de se viver a castidade, e a Vida Fraterna, modo de vivência da reconciliação e da partilha, se bem vividos, tornam-se uma escola de santidade.

O trabalho santificado, a oração ao ritmo da vida, o uso dos meios e os tempos fortes caracterizam a espiritualidade dos membros da comunidade. No contato cotidiano com a Palavra de Deus, fazendo o “diário espiritual”, os missionários escrevem a mensagem de Deus para cada dia e questionam-se como podem colocá-la em prática na própria vida. E, assim, são formados nesta “escola da Palavra de Deus”.

A vida de oração precisa ser o centro e a fonte da vida de cada membro e de seu apostolado. De forma muito simples, o caminho espiritual de cada pessoa é alimentado diariamente por meio da oração do terço diário, da oração pessoal,  do jejum, da confissão mensal, do “Retiro da Boa Morte” _que significa colocar,  mês a mês, a vida em ordem: por dentro e por fora e fazer uma revisão de vida e preparação para bem morrer_, da  adoração e da participação da Missa diária, fonte e vértice de toda a vida da Comunidade Canção Nova.

“O fundamento da Comunidade Canção Nova é o Evangelho: viver e comunicá-lo de maneira integral, na eficácia do Espírito Santo, enquanto esperam e apressam a vinda gloriosa do Senhor (cf. 2Pd 3,12), deve ser o empenho de todos os membros”.

Em 1977 um sacerdote chamado Jonas Abib lançou o desafio aos jovens: “Quem está disposto a deixar sua casa para vir e viver em comunidade?”. Onze jovens assumiram aquele propósito e, hoje, já são mais de 1300 membros comprometidos com a missão de evangelizar.

“Ele não espera que fiquemos prontos para evangelizarmos porque, na verdade, quem realiza a obra é o Espírito Santo; somos meros canais. Não podemos impedir que o desígnio de Deus se realize em nossas vidas e fiquemos preso às nossas limitações. Não importa a nossa idade, o que interessa é a concretização do desígnio de Deus em nossa vida” – Mons. Jonas Abib.